Produtores rurais apoiam greve dos caminhoneiros, mas pedem por transporte de alimentos

24.05.2018

 

 

A greve dos caminhoneiros já dura cinco dias e tem trazido problemas para diversos setores. Os protestos não foram iniciados por entidades sindicais, e os profissionais pedem a redução de tributos sobre o diesel e tabela de preços para o frete.

Um dos setores mais importantes para a sociedade, o agronegócio, também está sentindo o impacto da paralisação. Entretanto, os produtores apoiam o movimento dos caminhoneiros.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais e vice-presidente da FAEMG, Ricardo Laughton, explica que o aumento nos preços dos combustíveis impacta fortemente os custos de produção das atividades agropecuárias, no suprimento de insumos e no escoamento das cargas pelo país, com reflexos diretos no preço dos alimentos.

"É justo o movimento dos caminhoneiros, mas consideramos que eles deveriam permitir a passagem de veículos com alimentos, para não prejudicar a população", informou. Em comunicado oficial da FAEMG, a entidade afirma que é preciso mudar os rumos do país. "A FAEMG e os Sindicatos Rurais, juntamente com a CNA, estão empenhados nessa luta, pois a sequência de crises afeta a todos, especialmente o produtor rural, no custo da sua produção", reforça.

Menos impostos

De acordo com a FAEMG, as discussões sobre os preços dos combustíveis estão centradas no custo do barril de petróleo, na flutuação cambial e na CIDE. Entretanto, precisamos avançar sobre os tributos federais, como PIS/PASEP e Cofins. E, também, sobre o ICMS. Pesadíssimos! Em Minas Gerais, a incidência desse imposto, na bomba, é de 31% sobre a gasolina, 16% sobre o álcool e de 15% sobre diesel. A soma dos tributos federais e estaduais supera, em alguns estados, como o nosso, a barreira dos 40%.

Na nota divulgada pela entidade, o presidente Roberto Simões afirma que "este quadro demonstra, mais uma vez, que no Brasil a elevação dos tributos é sempre a saída mais fácil para a solução imediata de caixa decorrente da falta de planejamento do poder público", diz.

O movimento dos caminhoneiros começou de forma espontânea, provinda dos próprios profissionais, e ganhou força com a adesão de entidades como a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos e da Associação Brasileira de Caminhoneiros.

De acordo com o último balanço dos grevistas, do começo da noite de quarta, são mais de 250 pontos de protestos, atingindo 23 Estados brasileiros e o Distrito Federal.
 

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